2.2.16

quando fui atravessada guardei as ondas
dei-te contas
trouxe os seus ventos
canto-te diante dos teus ensinos

OdoYá!

7.11.15

23.10.15

carta a Elaeu, o tempo

Há tempos não me escrevo
Antes que as palavras atravessem meu corpo e marquem os meus tecidos, me rendo, me escrevo
Sem ordem, sem gênero que possam ditar os meus contornos, escrevo em desabafo
Antes que eu desabe, nos barrancos de uma terra-corpo soterrada de pensamentos atravessados
Sem nada. Do nada. Por nada. Sinto meus olhos marejarem
É o tempo. Um misto de sentimentos
Penso sobre o tempo, sobre as marcas que ele vem traçando na pele, no corpo, na voz
Hoje amanheci rouca. A garganta, essa gruta que deságua o meu som, amanheceu em dor
Algo a ser dito. A quem?
O corpo busca um conforto, estar com'outro.
Corpo, rijo, tenso... e belo
Me desnudo diante dessas tensões, nesses meus excessos de atenção
Nem sempre me contemplo... os olhos meus me veem
Este meu corpo-casa se reorganiza... um novo espaço: necessário horizonte
O coração aperta.
Deixo verter...palavras, suspiros... lembranças... cansaços...medos...
Pela fresta que me abro
Me relembro no tempo


23.3.15

espasmos

entre ventos
entro-me, rebento
adentro-me, soo tempo
percebo-me, atento-me

corpo... tento-me
atento-me no meu ar-elemento
dançando sedenta por um alento
rodopio em espasmos

corpo que me lança 
em silenciosos ensinamentos

4.3.15

A cor dei...fogo
A terra me dei corpo
Vem...tu...
E me embaralhou nas águas
Saudade é ausência que se manifesta nos meus elementos..