3.9.14

hoje

hoje não escreverei para você, não
por mais que as palavras pulem do centro do meu peito
elas não serão direcionadas para você
as trago para mim, apenas para mim
essa saudade que faz ventania no centro meu peito
hoje não a direcionarei para você
esse vento que me habita
fazendo os sentimentos dançar
não deixarei que eles me orbitem
hoje as palavras não caminharão para te encontrar
não deixarei que elas se percam nesse labirinto
hoje não as prenderei nas imagens que o desejo cria
hoje não desejarei estar perto de você
hoje não quero estar em você
hoje você não está em mim
te tiro do meu hoje
hoje sobretudo hoje, eu não te quero em nada
hoje no todo que me sinto vazia
não deixarei esse fluxo-sentimento me preencher
hoje não te colherei nas minhas escolhas
hoje eu me habito, sozinha
somente, só... mais eu

30.8.14

Elaeu e ele

Elaeu encontra com ele no sonho, passam sonhos e mais sonhos versando sobre o tudo...ao despertar, o que Elaeu queria é que a matéria ar da qual é feito os sonhos virasse terra em ponto de argila para o encontro ser moldado pelas mãos-corpos d'Elaeu e d'Ele...
...a se a escrita saisse por ai dançando...

27.8.14

Delaeu

Dos quandos Elaeu resolve amar, o peito se abre e a vida vira dança
Elaeu silencia diante desse precipício que é o coração
Elaeu caminhante que é, faz do centro do peito sua crisálida 
Elaeu sonha em voar-caminhar, sem demora e encontrar...
Elaeu só quer que a linha do horizonte seja o porto para o coração

15.8.14

a se a

as palavras resolveram pular-me
pulsadas nesse redemoinho coração
quero silenciar-me, elas palpitam-me
precipito-me?

o amor é um precipício
braços abertos, convertidos em asas
nessa casa-corpo, o coração é uma brasa
a se ao invés de escrever-me
eu... você...


deixo o silêncio desse pensamento
viajar-me
o porto-destino sempre é o coração
o meu... o seu...

a se a palavra aqui dita
se converte-se em toque
em mim... em você

a se a alma em nós
despertada
traduzida no silêncio
em... corpos em sons

a se a boca desse conta
de desaguar o desejo
tantos atravessamentos
o tempo...

a se ao invés de escrever
as palavras virassem toque
escorressem nos corpos
dissolvessem os ossos nossos
nos deixando em nós
sós, apenas nós.


4.8.14

um dia de leão

"Um polen, uma folha, um atomo... não sabia ao certo dizer o que. Mas veio. Veio até mim avisar que nascia hoje a anos atrás uma nova leoa, tão igual e tão diferente. Leoa cor de jambo com juba negra, sim essa leao tinha juba e como. Duas onix reluzentes nas cavidades oculares e um couro meio bronze.

nascia uma leoa que não era só caçadora, era fuçadora, protetora, amadora, buscadora. Uma leoa que não precisava da sombra para descansar mas optava por parar de vez em quando só para sentir o farfalhar das matas sobre seus pés.

Uma leoa que gosava sim de reluzir ao sol, com seu couro abronzeado ela sabia que reluzia como poucas. mas aprendeu a andar pelos menos brilhantes caminhos para assim aprender com delicadeza que tem hora para o show e hora para acalmar-se.

Uma leoa que ao crescer continuava com as brincadeiras com os pequenos, rolava na relva, brincava de pega pega e ao mesmo tempo tomava os menores pela boca, dava uma boa rosnada e explicava os porques dos sins e nãos. 

Me falaram que essa leoa ia cruzar no meu caminho para mostrar o caminho dos leões, que eu com ela ia começar a compreender que ser leão não é só saber rugir e caçar, mas saber andar devagar aonde tive pressa, saber olhar por entre as folhas e entender o que aquilo significava. Ia ensinar que pra ser leão é preciso ser mais e ser menos.

Engraçado nunca achei que eu fosse leão, mas até isso ela ia me explicar. E teve aquele dia que eu vi pelos olhos dos leões e tudo que ela me ensinou estava ali. Sorte daquela leoa que consegue ver todas aquelas cores de mundo.

Sorte dessa leoa que não envelhece, mas adquire aprendizado e sabedoria. Sorte dessa alcateia que bebe na fonte dessa leoa e que com ela brinca corre e aprende.

Parabéns Maity por toda essa juba e amor".

[presente do João Markun]