22.7.14

euvoucê

quero escrever
quero te escrever
quero me escrever, você
quero te ter inscrito nesse escrito

quero não responder
quero corresponder
quero correr e pousar em você
quero ousar com você nas inscrições do tempo

quero perder o tempo e achar o tempo
quero achá-lo nos traços, no ritmo marcado
no compasso, bambear-me o passo
quero não perguntar o que fazer

quero apenas confiar-me 
quero só silenciar-me
quero calar-me
quero só somente só
me saber

quero me saber, sabendo-te
que sempre que me saibo
sei mais sobre você



26.6.14

Elaeu resolveu femeninar-se. 
Broto-flor que Elaeu encontrou no caminho, desvendou-lhe o infinito.
Elaeu resolveu aninhar-se, assim, como felino. 
Elaeu se encantou com o seu menino interior, lançador de bola, Elaeu circundou.
Elaeu compreendeu-se gestação, nove passos a dentro do seu pensamento de íntima fecundação.
Elaeu fez silêncio para pausar o pensamento-oração.
Elaeu no ventar do tempo, ninou-se.

palavrança

quando as palavras me convidam para dançar
respiro para pausar o pensamento
instante de vento

ja não há mais nada
escrevo
só me resta o vazio

se escrevo o que habita
o dentro
me soou no infinito

20.6.14

lança-dança

o presente é dança
dança que me lança numa roda
viva que as pernas estão
elas caminham
caminhos, rumos que infinitos
não cabem nos horizontes do olhar

eu danço nessa lança certeira
música em cadência 
evocando a ciência da memória
me tecendo em novas histórias

eu danço num passo de compasso
onde o passado é estado de um ser
eu danço essa e-terna mudança
silenciando o espaço
nesse tempo de me ser

9.6.14

fadista

acordo-me fadista
com uma gota gosto oceânica 
inundada de um vazio
sem tamanho, sem remanso

a cor do meu fardo
um fado saudade
sem personagem
eu mesma, no mar de mim

a dor do meu fado
sem cor, banhado no sal
corpo de mim, purificado
lavado em minha'lma

acordo-me
sem mar
acordando com a vida
inundando-me
no lar que me sou

Téra Lonji